Catequese e Ecumenismo
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29/08/2020 Therezinha Motta Lima da Cruz Catequese e Ecumenismo Um só Deus criador de todos
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Quando se trata de contato com pessoas de outra religião falamos de diálogo inter-religioso, não de ecumenismo. Esse  diálogo inter-religioso nos faz pensar no Deus que criou a humanidade inteira e quer o bem de todos os seres humanos. Ao escolher, como vemos no Antigo Testamento, revelar-se dentro da história do povo hebreu, a intenção era usar esse povo como um instrumento para levar a outros povos também a gratificante mensagem desse amor que quer se estender a toda a humanidade. Podemos perceber um sinal disso logo no começo da história do povo, quando Deus se dirige a Abraão (que antes se chamava Abrão), como vemos logo no final desse chamado em Gn 12, 3: “em ti  serão abençoadas todas as famílias da terra’’. 

 Em Jesus a revelação se completa e é também destinada a mostrar uma salvação a ser oferecida a todos os povos.  Isso é plenitude da revelação de Deus. Nossa Igreja não deixa de pregar isso, sua tarefa missionária é levar Jesus a todos. Essa maravilhosa Boa Nova é uma fonte de alegria e esperança que todos têm o direito de conhecer. Hoje nossos documentos mostram que isso deve ser feito também buscando descobrir sementes ocultas desse amor de Deus em todas as culturas. Se nosso diálogo com outras religiões se fizer de modo respeitoso, valorizando o que cada uma tem de bom, estaremos sendo sinal desse amor de Deus que quer ir a todos.

E o que nossa Igreja nos diz sobre isso? O Concílio Vaticano II (1962-1965) nos trouxe orientações inspiradoras. Ele apresenta com firmeza o lugar da Igreja Católica como portadora da plenitude da mensagem salvadora que nos veio através de Jesus. Mas tem também afirmações que nos convidam a perceber a amplitude do amor de Deus, que vai além do que muitas vezes percebemos.

Na constituição dogmática Lumen Gentium (sobre a Igreja), lemos, por exemplo:

- LG 9: Em qualquer época e em qualquer povo é aceito por Deus todo aquele que o teme e pratica a justiça (baseado em At 10,35, quando Pedro anuncia o evangelho a não judeus que logo depois recebem o Espírito Santo, para surpresa dos judeus presentes)

-  LG 16:  O plano da salvação abrange também aqueles que reconhecem o Criador (e destaca em primeiro lugar aí os muçulmanos). Nem dos outros, que procuram o Deus desconhecido em sombras e imagens Deus está longe. O Salvador quer que todos se salvem. Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna. Ou seja: Cristo é o Salvador até para aqueles que não o conheceram diretamente, foi nele que se manifestou a imensdade do amor de Deus pela humanidade.

O assunto volta na constituição pastoral Gaudium et Spes (sobre a Igreja no mundo de hoje) onde, ao ressaltar a importância do mistério pascal, que alimenta nossa esperança na ressurreição, o texto nos diz:  “com efeito, tendo Cristo morrido por todos, e sendo uma só a vocação última do homem, isto é, divina, devemos admitir que o Espírito Santo aferece a todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal’.” GS 22

A  declaração Nostra Aetate  trata especialmente de diálogo inter-religioso e diz que “A Igreja Católica nada rejeita do que há de verdadeiro e santo nessas religiões ... Se bem que em muitos pontos estejam em desacordo com os que ela mesma tem e anuncia, não raro, contudo, refletem lampejos daquela verdade que ilumina a todos os homens.” NA 2

Diz também mais para o final: “não podemos, na verdade, invocar a Deus como Pai de todos, se recusarmos o tratamento fraterno a certos homens, criados também à imagem de Deus.” NA 5

Nada disso nos dispensa de anunciar Jesus e de testemunhar o imenso amor salvador que nele se manifestou. Essa é a melhor notícia que já foi oferecida à humanidade e temos o dever e a alegria de anunciar com palavras e testemunho de vida essa maravilhosa demonstração do amor que Deus tem por todo ser humano. Principalmente precisamos ter cuidado para que nossas atitudes, nossa vida e nossas ações não desmoralizem o que anunciamos com palavras. O amor ao próximo, a capacidade de ouvir e dialogar, o respeito aos sentimentos do outro são também poderosas formas de mostrar o valor do que estamos anunciando. Quem for bem tratado e respeitado nos ouvirá com mais atenção.

A catequese está sabendo combinar anúncio e diálogo?  A fidelidade a Jesus está ficando transparente na maneira de tratar os que pertencem a outras tradições religiosas? Percebemos como isso é também um apelo á construção da paz de que o mundo tanto precisa?

Therezinha Motta Lima da Cruz

julho/2020

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