Ser catequista
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26/01/2019 Therezinha Motta Lima da Cruz Ser catequista Catequista com uma espiritualidade ecumênica
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A catequese não existe só para ensinar coisas sobre Jesus e sua Igreja. O objetivo é que cada um seja Igreja e tenha uma experiência pessoal com Jesus que marque a sua identidade. O catequista também precisa “ser Igreja”, mostrando com sua vida, sua espiritualidade e suas atitudes um retrato fiel dessa Igreja que está acolhendo quem se apresenta para nela ser seguidor de Jesus. 

Assim como um rosto humano tem várias características (olhos, nariz, boca, orelha, cabelos, queixo...) e se apresentaria como deformado se fosse desenhado sem alguma delas, a fisionomia da Igreja tem várias dimensões que precisam estar bem integradas para mostrar uma imagem correta do que é “ser Igreja”. O ecumenismo é uma dessas dimensões mas geralmente fica esquecido, como se, sendo ecumênico, alguém fosse por isso menos católico. Documentos da Igreja apontam para a necessidade de incluir esse aspecto. No Catechesi Tradendae 32 se afirma: “a catequese não pode ficar alheia a essa dimensão ecumênica”.  Desde o Concílio Vaticano II a Igreja vem insistindo nesse tema, mas muitos materiais catequéticos não incluem esse assunto.          

No entanto, além de apresentar a posição da Igreja, o próprio catequista precisa desenvolver uma espiritualidade que facilite o respeito e o diálogo fraterno com cristãos de outras denominações. Não basta falar, é preciso ter isso no coração. Catequistas e catequizandos convivem com cristãos de variados tipos na própria família, na vizinhança, nas escolas, nos locais de trabalho. Alguns, por desconhecerem a posição oficial da Igreja, têm receio desse tipo de diálogo, como se isso não combinasse com sua identidade católica.

Mas é a nossa própria Igreja que nos pede outra atitude. Podemos pensar, por exemplo, no que nos diz o decreto Unitatis Redintegratio (do Concílio Vaticano II) sobre os chamados “irmãos separados”:   

 “... é necessário que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de patrimônio comum, que se encontram entre irmãos separados de nós.” (UR 4)

“Não se deve esquecer que tudo que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode contribuir também para a nossa edificação.” (UR 4)        

Já depois, na encíclica Ut Unum Sint, o papa João Paulo II afirmava:

O ecumenismo não é só uma espécie de “apêndice” que se vem juntar á atividade tradicional da Igreja. Pelo contrário,  pertence organicamente à sua vida e ação, devendo, por conseguinte, permeá-la no seu todo...” (UUS 20)

“Aos olhos do mundo, a cooperação entre os cristãos assume as dimensões de um testemunho comum, tornando-se instrumento de evangelização proveitoso a uns e a outros. (UUS 40)   

Essa última afirmação combina bem com a oração que Jesus fez pensando nos primeiros apóstolos e em todos os evangelizadores que viriam depois,  registrada no evangelho de João: “eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que eles também estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. (Jo 17, 20-21)   

Cristãos desprezando uns aos outros perdem muito porque ficam parecendo comerciantes disputando freguesia. Se as diferentes denominações cristãs souberem se tratar com respeito e fraternidade, seu testemunho será muito mais convincente para aqueles que ainda não crêem. Alguns podem pensar que uma espiritualidade ecumênica enfraqueceria a identidade religiosa de cada um. Mas o que acontece é exatamente o contrário: só está preparado para ser ecumênico quem tem muito amor à sua Igreja porque é esse amor que nos faz entender que a identidade religiosa do outro precisa ser tão respeitada como queremos que a nossa seja.        

Diante disso, os catequistas precisam conhecer o que a nossa Igreja diz sobre esse assunto. Não poderemos falar em nome dela sem esse tipo de conhecimento. Temos também que desenvolver qualidades indispensáveis para uma verdadeira espiritualidade ecumênica: respeito ao sentimento do outro, paciência, humildade na busca da verdade, caridade fraterna, amor prioritário aos valores do Reino, empenho na construção da paz, capacidade de discordar com a devida delicadeza... Tudo isso se aplicaria ao ecumenismo mas também nos tornaria pessoas mais preparadas para dialogar  como irmãos em outros campos da vida.           

No terreno específico da catequese, poderíamos participar das celebrações e reflexões que são feitas anualmente na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e conversar sobre a diversidade que já existia nas primeiras comunidades cristãs (com judeus que seguiam suas tradições e gente de outros povos seguindo Jesus sem precisar assumir os costumes judaicos). Também podemos ouvir as experiências que os catequizandos já têm de convívio com cristãos não católicos em sua família, no grupo de amigos, na vizinhança.           

O papa João XXIII já havia dito ( e depois João Paulo II repetiu): “È muito mais forte aquilo que nos une do que o que nos divide.”  O que nos une é a disposição de seguir Jesus, e nada pode ser maior...           

Ecumenismo não é concordar com tudo, é sentir-se vivendo a unidade na diversidade. Sabemos viver isso no terreno religioso e em outros campos da nossa vida?

Therezinha Motta Lima da Cruz

 

 

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